Aderi à campanha Eu sei escrever, criada pela comunidade Fórum PCs. A idéia surgiu quando os moderadores se encheram de ter que ler textos incompreensíveis escritos em internetês. A partir daí, a comunidade criou filtros para palavras escritas de outra forma como "naum", "aki", k.ra etc. A campanha ultrapassou os limites do site Fórum PCs, foi para o Orkut e virou matéria em jornal. Também destesto textos com essas frescuras! Minha contribuição será cumprida da seguinte forma: vou imprimir a logo temporária da campanha e colar em todos os trabalhos dos meus alunos de Comunicação na semana que vem. Quem escreve bem entra no combate a esta praga; e quem escreve "axim" vai ficar revoltado...
Update: Eu não suporto falso moralismo da mesma forma que não suporto textos incompreensíveis. Então, aos espertinhos que acham que a campanha é "censura à liberdade de expressão", eu digo que é apenas um estímulo ao bom senso. Se você está em um fórum de discussões, em uma comunidade aberta a todos, você precisa falar como a comunidade e não do seu jeito. Se a comunidade não tem um "padrão de comunicação", então, é mais coerente que se use a língua normal para ser entendido por todos. E não aquela que você acha mais fácil. Quando eu estou no MSN, uso as abreviações todas possíveis APENAS com pessoas que as entendem. Tenho amigos que usam o messenger, mas não são tão chegados e não conhecem o vocabulário "internético", e eu não os deixaria sem entender o que eu quero dizer, apenas em nome da "liberdade de expressão" a que tenho direito. Fala sério, vai fazer discurso sobre "anti-democracia" lá na PQP.
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 10h04
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homenagens
Homenagem a um grupo de futuros jornalistas muito sério e cdf, com quem eu dou "altas risadas" dentro e fora de sala de aula: Los Perdedores. Algumas variações da Lei de Murphy.
-Lei da administração do tempo tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível. -Lei da telefonia quando te ligam...se você tem caneta, não tem papel...se tiver papel, não tem caneta... se tiver ambos,ninguém te liga.Quando você ligar números de telefone errados, nunca estarão ocupados. -Lei das filas e engarrafamentos a fila ao lado sempre anda mais rápida. parágrafo único;não adianta mudar de fila,a outra é sempre mais rápida. -Lei do esparadrapo existem dois tipos de esparadrapo:o que não gruda e o que não cola.
Parabenizo um ganhador: o jornalista Marcelo Leite, da Folha de S. Paulo, que recebeu o prêmio José Reis de Jornalismo Científico de 2005. Muito merecido!!
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 06h39
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Cientistas admitem distorcer pesquisas para agradar financiadoras
Falta de ética na pesquisa científica é assunto da Folha de S. Paulo, que publica matéria com o resultado de uma pesquisa divulgada na revista Nature de hoje. O assunto não é novidade, mas é muito importante. Acho que todo jornalistas de ciência já se deparou com alguma falcatrua de pesquisador ou a ansiedade por auto-promoção. O problema do repórter que cobre a área de ciência é conseguir detectar uma besteira científica, já que somos de outra área. Frequentemente tem jornalista que cái nas garras de pesquisadores-marketeiros-da-"ciência". Nem sempre são apenas os pesquisadores não-famosos ou os menos visados. A situação é preocupante quando você sabe que esses pesquisadores espertinhos podem realizar estudos determinantes nas áreas de ciências da vida e da saúde, por exemplo. Segundo a Folha/ Nature...
"Numa pesquisa feita nos Estados Unidos com mais de 3.000 cientistas ligados à área médica, um terço deles admitiu, sob condição de anonimato, que cometeu alguma improbidade em seus estudos nos últimos três anos." "Curiosamente, os pesquisadores experientes (média etária de 44 anos) se mostraram menos éticos que seus colegas principiantes (com, em média, 35 anos)." "O trio [de pesquisadores] aponta como possíveis razões o fato de que os cientistas mais experientes já conhecem melhor o sistema e têm menos medo de serem pegos, ou o fato de que cientistas mais jovens se delataram menos nos formulários, com medo de serem expostos. Os questionários continham 16 perguntas do tipo "sim ou não", dizendo respeito a diferentes tipos de má-conduta na qual o cientista poderia ter incorrido nos últimos três anos -que iam da mais inofensiva delas, Nº 16 ("Você manteve registros inadequados de suas pesquisas?"), à mais escabrosa, Nº 1 ("Você falsificou ou "fabricou" dados de pesquisa?")." "A questão Nº10 era: "Você mudou o projeto, a metodologia ou os resultados de um estudo em resposta a pressões de uma fonte de financiamento?". Entre todos os pesquisadores, 15,5% admitiram ter feito isso. Excetuando a quase inofensiva pergunta dos "registros inadequados", essa foi a que obteve maior resposta." "Os responsáveis pela pesquisa .... "argumentam que essas "pequenas" mazelas do dia-a-dia científico podem ser até mais graves do que os grandes casos de fraude que, vez por outra, ganham destaque na imprensa."
(recortes do texto de Salvador Nogueira para a Folha: Um em três cientistas admite má-fé)
Um livro surpreendente sobre o assunto é " O fundo falso das pesquisas" da jornalista americana Cynthia Crossen, publicado no Brasil, em 1996, pela Ed Revan.
Apesar de o estudo ter sido realizado na área da saúde, existe muita gente que falsifica dados e copia pesquisas alheias nas áreas das ciências humanas também. Estou falando de gente "grande", e não de alunos que estão na graduação.
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 07h22
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O fim do semestre letivo está próximo e começo a sentir um certo desespero traduzido, em parte, nestas duas falas:
* "Quanto mais você vê, menos você sabe. (...) Eu sabia muito mais do que eu sei agora." [trad. City of Blinding Lights - U2] * "Quanto mais eu rezo, mais visagem me aparece". [dito da minha avó Elza Melo]
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 13h50
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Meu irmão caçula, Frederico, faz 13 anos hoje. É uma figurinha com uma percepção implacável, embora ainda muito menino! Nossa última conversa por telefone:
- E aí, cara, agora que vc tá fera na natação, que tal treinar triathlon? - Ah, Ale, só se for à noite. Ando ocupadíssimo.
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 13h45
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política e inteligência artificial
Herbert Simon, prêmio nobel de economia, estudioso da inteligência artificial, em entrevista ao Le Monde (10.04.1984) mostrou como pesquisadores podem ser bem humorados, "apesar de"! Ele acreditava que um computador seria capaz de muita coisa até mesmo de superar homens como Einstein e Proust. A entrevista foi feita pela jornalista de ciência Guitta Pessis-Pasternak.
-Não haveria então nenhum limite para as capacidades do computador, seja no domínio da tradução, da criação literária e da pesquisa científica? A longo prazo, os computadores serão capazes de fazer tudo! -Até assumir o cargo de presidente dos Estados Unidos? Bem, eu gostaria de esperar um pouco antes de votar em um computador, e verificar antes a qualidade de seus programas! Suponho que uma resposta fútil poderia ser que não teríamos que avançar na ciência computacional para "produzir" um presidente tão qualificado quanto alguns dos mais recentes que os Estados Unidos tiveram.
*Só pra lembrar: isso foi há 21 anos! Uma resposta genérica que vale pra qualquer tempo e qualquer administração!
(A entrevista completa faz parte do livro organizado pela referida jornalista publicado no Brasil com o título: "Do caos à Inteligência artificial" Ed. Unesp, 1993)
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 07h22
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incrível!!
Acredite!! Eu conheço uma pessoa que assistiu a A Vida de Brian e não conseguiu rir! Perguntou-me seriamente hj:
"o que você viu naquele filme?!? Nem eu, nem meus amigos achamos nada engraçado ali."
Caramba!! Pegaram o filme pq eu indiquei, riram muito quando contei algumas partes... mas não com o filme mesmo. Será que estou superando Monty Python? Sei lá, só de falar o título eu começo a rir. Será que eu tenho algum problema? (risos)
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 17h32
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soja me deixa triste
Nasci em Santarém-Pará, onde vivi até janeiro de 1989. Quando saí de lá, era fim da "época do ouro". No centro já não proliferavam casas de compra e venda do metal. Mas circulavam ainda garimpeiros cheios de cordões de ouro e malária. Donos de garimpo sorriam com os bolsos recheados. Hoje não existe mais nada disso. Restaram pessoas doentes, meio ambiente destruído, resumo de poluição e alguns ricos que souberam investir o dinheiro. Ainda existem garimpos, mas nada mais como antes. Em janeiro estive em Santarém e vi um pouco da "era da soja". Construíram um enorme porto graneleiro em uma das praias mais próximas da casa da minha mãe. Muitos forasteiros circulam por ali em carros com placas de outros estados. Não observei nada de mudança positiva na cidade. Uma sensação de "´déjà vu" surgiu hj com esta reportagem da Folha de S. Paulo: Agronegócio contamina rios da Amazônia, onde se lê a perspectiva do secretário nacional de Recursos Hídricos, do Ministério do Meio Ambiente: "A região da Amazônia corre risco a médio prazo se não houver um processo de gestão. Uma década, às vezes menos, depende dos empreendimentos." "Haverá água em quantidade, mas, devido aos contaminantes, ela ficará indisponível. A pessoa terá a água, mas não poderá bebê-la", afirma. "Todo processo de desenvolvimento gera impacto ambiental e as águas são o primeiro elemento a sofrer. O agronegócio nos preocupa. Efetivamente traz problemas tanto de contaminação [dos rios] quanto o que pode promover no solo." (João Bosco Senra)
Triste, né? Quando eu saí da faculdade de jornalismo, meu projeto experimental foi uma campanha (no rádio) sobre os efeitos humanos da poluição mercurial proveniente da extração do ouro na bacia do rio Tapajós. Era um assunto que me chamava muita atenção e que me meti a fazer entrevistas com os pesquisadores do tema. Infelizmente são efeitos horríveis, que só começaram a aparecer anos depois da febre do ouro, como uma espécie de "poupança da desgraça". Neste momento de avanço do agribusiness na amazônia, fico indignada com o atraso no preparo do governo, que deixa repetir o mesmo erro de décadas. Planos existem sem dúvidas, mas de concreto, percebe-se apenas o incentivo ao agronegócio e a falta de administração dos problemas. Não sou contra o "progresso", sou contra a incompetência e a falta de respeito com as pessoas que ainda vivem apenas com recursos que tiram dos igarapés e de suas pequenas plantações.
Se alguém quiser ler uma opinião mais racional sobre isso, procure o blog do Marcelo Leite.
Escrito por Ale Carvalho (Lain) às 14h54
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